Aqui estamos

Amigos amantes do mundo, este espaço é dedicado à vocês.
Aqui relato algumas de minhas experiências em viagens, na maioria das vezes, feitas sozinha. Fatos, experiências, histórias, lugares e pessoas fascinantes que encontrei pelo caminho. E é claro, algumas precauções para uma viagem tranquila e radiante.
Também aceito dicas e experiências alheias. Trocas serão sempre bem vindas.
Beijos

terça-feira, 20 de julho de 2010

Intercâmbio - a melhor experiência

Julho de 1998 - depois de uma frustrante programação de viagem turística, resolvi inovar. Decidi fazer um intercâmbio, unir turismo, aprendizagem e muita experiência.
Em princípio, já que a Copa do Mundo seria na França e eu sou apaixonada por futebol, este país tornou-se a minha opção. Não sabia (e ainda não sei) uma palavra em francês, pelo menos nada além de bonjour, merci, s'il vous plait, çe va...para manter uma diálogo básico decente.
Mas enfim, estava indo lá para isso mesmo - aprender francês. Porém, fui convencida pela agente da STB a trocar meu destino. Por ser uma capital cara por natureza e ainda mais em época de Copa, não era aconselhável me aventurar por lá.
Então, para onde ir?! Como já disse, EUA no way. Claro, como não!!!! ESPANHA. Sou descendente de espanhol, convivi com meu avô e seu estilo fúria de ser por anos. Nada melhor do que conhecer as minhas origens.
Foi a melhor opção da minha vida....
Aí era só decidir entre Madri e Barcelona. Não me lembro ao certo por qual razão, mas escolhi a capital, MADRI. PS: meu avô nasceu em Granada, mas não tinha essa opção.
Dessa vez, sem nenhum imprevisto, parti sozinha para a minha primeira viagem internacional. Me lembro que meus pais e meu irmão foram até o aeroporto de Guarulhos para se despedir e é claro, recomendar os famosos juízos, até porque eu tinha "só" 20 aninhos.
Voei na extinta compania aérea Varig (belo voo por sinal). Muitos jovens nesse avião, entre eles algumas moças com o mesmo objetivo, mas divididos entre Madri, Barcelona e Salamanca (não me lembro da agente ter me dado essa opção).
Depois de 10 horas de voo, chegamos a Madri. E agora, o que fazer? Ninguém estaria lá no aeroporto me esperando! Um ex namorado, que morou lá, me deu umas dicas de trajeto até a "minha casa madrilenha", ou seja, um táxi do aeroporto até a Plaza del Colón e de lá, outro táxi até a casa, próximo ao Parque do Retiro (sem colocar as malas no bagageiro, pois sairia mais caro). Fiz isso, mas até agora não entendi o motivo (será vingancinha de ex?!).
Durante um curto trecho, dividi o táxi com uma outra intercambista. Quando cheguei até a tal praça Colon (é esse mesmo, o Cristovão). Já nessa praça, eu e minhas imensas malas, estávamos caminhando (sem rumo) até decidir em qual rua chamar um novo táxi, quando um sujeito estranho se aproximou. Eu, com aquele receio paulistano, sai correndo. Ok! achei um táxi e consegui chegar no meu destino, calle Amado Nervo.
A minha ladyhouse, Rosario, me tratou muito bem desde o começo. Fazia vários elogios sobre a cor dos meus cabelos ("Que precioso", dizia), contava várias histórias sobre a família, os costumes e tradições, sobre a vida em Madri...e de quebra, cozinhava muito bem. Dedicada, preocupada e impecável.
O apartamento e o meu quarto (sola) eram super aconchegantes. Tudo lindo, mas senti uma saudade do meu país !!!! A primeira estudante que conheci foi Stefany, uma americana do Colorado que estava hospedada na casa da irmã da Rosario, minha vizinha. Louca !!!! Não falava nada de espanhol e eu, perto da Rosario, era proibida de falar outra língua.
No dia seguinte, chegou a outra hóspede da "minha casa", Suzana, uma portuguesa tranquila e conservadora, pelo menos até conviver diariamente comigo...Por um lado era interessante, pois podíamos falar (escondidas) em português.
Outros intercambistas foram também bem especiais: os brasileiros Ana Paula, Luciana, Janaína, João e Marcos, a turca Sheby, os americanos Michelle e Aaron e os suíços, ah os suíços, Andy e Christin.
O colégio, Eurocentro Madri, localizado em uma região contemporânea da cidade (Paseo del Castellano), era muito bacana. A equipe de funcionários era super prestativa, como deve ser. Aulas de gramática, oral e escrita, que começavam as 9 e terminavam as 13 ou 14, não me lembro direito.
Para facilitar a leitura e também a minha memória (enfim, já faz 12 anos), vou escrever essa experiência em tópicos. Mas algo posso adiantar e insistentemente dizer, FOI A MELHOR EXPERIÊNCIA DA MINHA VIDA e aconselho a todos, sem restrição de idade - FAÇAM INTERCÂMBIO !!!!

Primeira frustração

Em 1997, após dois anos de São Paulo, empregada e prestes a curtir minhas primeiras férias, precisava decidir para onde ir.
Pensei em algo sofisticado e é claro, bem longe...Nada de Estados Unidos (não conheço e não tenho grandes expectativas), queria algo mais além...EUROPA...
Me lembro que ao chegar a agente de viagens e contar sobre a minha decisão, ouvi a seguinte frase: "Nossa, é tão difícil um jovem escolher a Europa como destino para sua primeira viagem. Geralmente preferem os EUA".
Pode até ser, mas eu nunca gostei de ser padrão.
Roteiro escolhido: Madri, Barcelona, Nice, Milão, Roma, enfim, um tour de 20 dias entre Espanha, França e Itália. Sabe aquelas viagens do sonho...É, seria !!!
Meses antes da fantástica viagem a Europa, quando estava reunindo toda a documentação para tirar meu primeiro passaporte, adivinhem...São Paulo, centro, uma jovem dentro de uma ônibus lotado...fui assaltada. Levaram a minha carteira, cheque, cartão e todos os meus documentos.
Tive vários problemas depois disso...Resultado: não consegui realizar a minha grande e esperada viagem a EUROPA e nem a lugar nenhum.
Mas um ano depois...

O início

Nasci no interior de São Paulo e sempre tive o desejo de vir para a capital, afinal sou uma mulher do mundo e aquela cidadezinha "tranquila" era pequena demais para os meus sonhos.
Batalhei, batalhei e consegui...com 17 anos, estava aqui. Uma cidade imensa, cheia de gente esquisita, barulhenta, poluida e corrida...Mas não demorou muito tempo para eu me acostumar. Logo me senti a mais paulistana das mulheres !!!! Caminhando (se é que é possível) como se aqui tivesse nascido.
A partir da minha vinda para cá, posso dizer que muita coisa mudou. Como meu próprio irmão diz: deixei de ser boba ! Não é fácil viver (e sobreviver) em São Paulo, ainda mais quando até então, tinha uma rotina tão certinha e dependente.
Ter que fazer escolhas tão abruptas sem poder pedir ajuda e ser cobrado pela opção correta, machuca, expõe, mas me tornou adulta e também vitoriosa. Pois é claro, sinto muito orgulho de tudo o que passei e que conquistei nessa mega e louca cidade...
Enfim...depois de São Paulo, resolvi partir para o mundo. Aqui está ficando pequeno demais para mim...